Algumas dicas sobre mioma uterino: sintomas, causas e tratamentos.
Mulheres com mioma uterino podem não apresentar nenhum sintoma ou problema relacionado a ele, que é um tipo de tumor benigno encontrado na parede do útero e, em alguns casos, no colo do útero.
Por se tratar de um tumor (não cancerígeno), o mioma pode apresentar tamanhos variados, indo desde um tamanho similar ao de um pequeno grão de feijão até ao de uma bola de basquete. Nos casos mais raros e severos, a mulher pode aparentar uma “falsa gravidez”, por causa da dilatação do abdome.
O mioma quando diagnosticado deve receber tratamento adequado para que não influencie em outros aspectos da saúde da mulher.
1- O que é mioma? Quais os tipos?
O mioma é um tumor não cancerígeno no útero. Tumor é qualquer coisa que cresce em local anômalo e os miomas podem ser chamados de tumores “benignos”. A genética e os hormônios estão entre as principais causas da disfunção. O problema pode ocorrer em diferentes partes do útero e causa diversos problemas para mulher. Os miomas se dividem em três grupos: os suberosos que permanecem do lado de fora do útero, os intramurais que estão localizados na musculatura do útero e os submucosos que estão dentro da cavidade do útero.
2- Como eles se desenvolvem e manifestam? Quais os sintomas? Como diagnosticar?
A causa do aparecimento dos miomas é genética e o crescimento deles se dá, na grande maioria das vezes, por ação do estrógeno, que é um hormônio produzido no ovário da mulher em idade reprodutiva. Os sintomas são cólicas fortes, menstruação prolongada ou sangramento irregular. Quanto ao diagnóstico, ele é realizado através de exames de imagem como o ultra-som e a ressonância magnética.
3- Quais os tratamentos mais indicados?
Tudo dependerá do tamanho e localização do mioma. Mas, em geral, o tratamento é cirúrgico.
4- Em quais casos é recomendado o procedimento cirúrgico?
Em casos de miomas submucosos (dentro do útero), sempre se recomenda a retirada do mioma por histeroscopia (uma cirurgia na qual colocamos uma câmera de vídeo por dentro do útero, sem cortes externos). No caso dos demais miomas (intramurais e suberosos), a cirurgia estará reservada aos casos com muitos sintomas ou em miomas de grande volume.
5- Há tratamentos que “secam” o mioma? Como atuam sobre esse tumor?
As medicações que diminuem o tamanho do mioma podem ser usadas, mas sempre antes de um procedimento cirúrgico, para diminuir o nódulo e ajudar na cirurgia.
Além das medicações (que induzem a um estado semelhante a uma menopausa), outro tratamento é a embolização dos miomas, aonde um cateter é colocado até a artéria que irriga o mioma e é realizada uma embolização daquele vaso, ou seja, é interrompido o fluxo de sangue para o mioma e com isso há redução do tumor evitando-se a cirurgia em alguns casos. No entanto, este tratamento é indicado principalmente para mulheres com contra-indicações cirúrgicas ou que já tiveram filhos e não desejam mais procriar, já que existe um risco extremamente pequeno de haver necrose de todo útero com necessidade da retirada do mesmo.
6- Toda mulher pode desenvolver mioma?
Pode sim. Após os 50 anos de idade a chance de ter um mioma é de 50% entre as mulheres.
7- Independente do tipo de mioma, ele pode virar um câncer?
A chance de virar um leiomiossarcoma (o tumor maligno) é de 0,3 a 0,5%.
8- Este tipo de tumor pode interferir na fertilidade?
Pode, dependendo da localização. Nesses casos, quando forem submucosos ou intramurais de grande volume ou localizados perto das trompas, devem ser operados.
9- Há algum tratamento preventivo? O aparecimento dos miomas pode ter origem genética?
Infelizmente não existe nenhum tratamento preventivo. A transmissão é genética.
1O- Quando e por que o mioma pode levar à retirada do útero?
Atualmente, somente se retira o útero em mulheres com prole constituída e com miomas de grande volume ou muito sintomáticos. Por exemplo, mulheres com úteros aumentados semelhantes a gestações de 5 meses para cima e com prole constituída, tem indicação para a retirada do útero.
Perfil
Dra. Rosa Maria Neme (CRM SP-87844) – A Dra. Rosa Maria Neme é graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1996) e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo (2004). Realizou residência-médica também na Universidade de São Paulo (2000). Além de dirigir o Centro de Endometriose São Paulo, ela integra a equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein, Samaritano, São Luiz e Sírio Libanês.
O Centro de Endometriose São Paulo conta com serviços voltados à assistência global da saúde da mulher e valorização da beleza feminina. A iniciativa deste projeto pioneiro é da Dra. Rosa Maria Neme, que possui diversos trabalhos publicados sobre a endometriose e larga experiência no tratamento desta doença. Ela lidera uma equipe clínica formada por médicos e profissionais nas áreas de ginecologia, radiologia, cirurgia do aparelho digestivo, urologia, clínica geral, anestesia especializada no tratamento de dor, dermatologia, fisioterapia, nutrição e psicologia.